| |
Imagem Peninsular de Lêdo Ivo
Foi uma noite surreal, quase.
Estava o Teatro Deodoro lotado...
Olhos esbugalhados!
E Lêdo Ivo dentro!
Pré-estréia de um documentário.
Direção: Werner Salles.
O novo entre os antigos solitários.
Um bom recado para aqueles que assistiam apenas seus umbigos.
Doc TV e Alagoas perfeitamente representada.
Salve, salve!
Ansiedade até dia 14 de julho de 2004.
Depois, satisfação, orgulho...
Para os de salto alto, um baque, talvez.
55 minutos marcados na história cinematográfica do Estado.
Um filme completo.
Risos, nostalgia, lágrimas.
Culpa, leveza, solidão.
Lêdo Ivo se tornou mais imortal ainda.
Ele dentro de sua própria poesia.
A seleção de poemas, maravilhosa!
Os depoimentos também!
Um apanhado dos caminhos,
Dos encontros, dos desencontros,
Do jeito e da graça.
Deu para ver a sua casa,
Sua amada que agora lhe aguarda em um novo mundo.
Seus cachorros...
Alagoas polemizada.
Ninho de Cobras? Como se ninguém soubesse...
O trilho do trem, Jaraguá, a raposa.
O paralelepípedo e a cidade atônita.
Maceió, cidade dos que ficam...
Cidade dos que vão.
A distância é necessária
Para que o amor se certifique.
55 minutos.
Vi lágrimas em diversos olhos.
Trilha, fotografia, efeitos gráficos...
Nada decepcionou.
Mesmo àqueles que já esperavam sucesso,
A surpresa de uma noite perfeita.
Escrito por Carla Serqueira às 16h40
[]
[envie esta mensagem]
Quis dançar Garanhus inteira.
Seu festival anunciou músicas de vários tipos, em vários dias.
Às 10 da manhã, o Afoxé começava o contágio de boas energias.
O sol apareceu forte na praça da cultura popular, no centro.
Destaque para o Afoxé Oxum Pandá.
 
A primeira noite soou em mim como uma espécie de passe santo, de preparo.
Foi Vagabundo, o show de Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede.
Iluminação e figurinos simples e completos.
Duas diferenças perfeitas.
No repertório, Assim Assado, Disritmia e Mundo, uma letra bem brasileira, de realidades e batuques.
Faca amolada fez parte do bis. Me deixou sem voz, surpresa. Belo fim, belo show... Parabéns para mim!
Na Guadalajara não vi mais nada que prestasse.
Nosso caminho se tornou o parque Rubem Van Der Lindem.
Todo começo de noite, às 18 horas.
Minha alma gosta de lá.
Som e flores, árvores, verde!
Jazz, jazz, jazz...
Banda Curupira. Guardem este nome!
Um trio: teclado, baixo e bateria.
Ah! Apitos também.
Foram do baião ao reisado... muita experimentação.
Muita virtuose. O som vinha de dentro, dava para sentir.
Vinha e entrava em todo mundo.
Músicos e platéia, manifestação única.
Recomendo também Quinteto da Paraíba!
Leveza em cordas. Muito bom!
Uptown Band, Flávio Guimarães e C4 Instrumental (o guitarrista, Breno Lyra, embasbacou a galera com seus solos!), Jazz Four Sure.
Muita energia neste parque conhecido também como Pau Pombo.
O coração vira musicalidade.
CONTINUAÇÃO MENSAGEM ABAIXO!!!
Escrito por Carla Serqueira às 16h03
[]
[envie esta mensagem]
Outro endereço certo: Euclides Dourado.
O melhor show que vi lá:
Eddie! Eddie! Eddie... “eu sou Eddie”.
Gosto do sarcasmo, da meninice e do balanço desta banda.
Parece sempre uma fusão de passado e futuro.
Dancei muito!
Mônica Feijó (leia-se Maria Rita) abriu a noite!
Música de qualidade, mas sem originalidade, sabe?
Assim me pareceu Mombojó.
Estava muito curiosa. Muitas vezes ouvi Los Hermanos neles.
Acho que ainda vão achar a veia mesmo.
Otto... Nossa Senhora!
Sou fã das letras, dos arranjos.
Um dos shows que mais esperei.
Esse dia foi bagaceira.
Antes de Otto, Ortinho.
Achei a noite maravilhosa.
Uma semana de ver e ouvir.
Muita coisa que não citei contribuíram para a minha alegria.
Oficinas, dança, circo, vinho.
E também o som de qualidade e improviso no Budega.
Escrito por Carla Serqueira às 16h02
[]
[envie esta mensagem]
Garanhus me causou saudades. Acabo de deixar seu frio, suas ladeiras, seu festival. Retorno com a sensação de produtividade e mais amigos no coração. Voltei querendo mais. Vivi poesia estes dias. Fui para me buscar. Vi shows incríveis, estive com crianças e fui artista de circo uma vez. Algumas dificuldades. Muita gente, casa pequena e falta de água... mas valeu muito. Conheci mais Nandinha, uma flor de amiga! Segunda com gosto de nostalgia hoje! O melhor é que o inverno é certo!
Escrito por Carla Serqueira às 22h38
[]
[envie esta mensagem]

Pode crer... nem mais nem menos um dia sequer. Está agendada e confirmada. Às 13:30 de segunda, dia 05 de julho, a minha e a colação de grau de três amigas estará a espera! Caramba... té que enfim! Quanta coisa... que ciclo imenso este da Ufal. Bons momentos e maus bocados. Nem me diga... E agora, numa singela segunda feira, o tal diploma nos desligará da academia. Já pensou?!!!
Quantas polêmicas, aulas matadas, festas, amizades, viagens de toda natureza e para muitos lugares. Inevitável não fazer uma retrospectiva, não sentir uma nostalgia. Acabado o TCC, um processo longo, dolorido, um outro tem que surgir. E surgiu: a papelada para o desligamento. "É minha filha, viu?!!! Pagar isto aqui no banco, doze reais, trazer o comprovante, xerox da identidade e o nada consta da biblioteca. Autentica aqui e depois leva lá no Protocolo... agora vá logo por que o pessoal do protocolo fecha cedo. É capaz de não dar tempo". Eitha... tem funcionária pública que parece ser treinada para criar dificuldade, servir de obstáculo, gerir desânimo... agem como se ganhassem comissão para isto, Deus me livre!
Cara, a parte da biblioteca foi a mais louca. Acho que foi a hora que mais me senti fora da UFal. O funcionário pegou a minha ficha (por seis anos de número cinco um zero quatro), arrancou a foto, me entregou, rasgou o cartão e à máquina foi batida a minha demissão das estantes. Nossa, sentirei muita saudade. Como vai ser?!!! Não tenho mais uma biblioteca para levar uns livros para casa... apesar de livros arcáicos, obras boas, no lado de literatura, se achava. Fogo, né?!!! Já fiquei sentindo falta...
Pois é! Vamos, eu, Erika, Nanda e Rossana, juntas com mais quinze pessoas colar grau. Nos livramos da palhaçada declarada que é a tal cerimônia. Veja! Iríamos colar grau, que é simplismente receber o diploma, nada mais, com a turma de formandos deste ano... umas duas depois da minha de origem! No ensaio... Cara, ensaio é foda, né?!!! No ensaio desistimos, graças... não seria, nem à força, divertido. Acho que eu vomitaria!
De novo a funcionária da Ufal: "vamos filhos, vamos ensair" E a gente lá, assistindo ao teatro! "Vocês vão entrar em ordem alfabética rigorosa". Que besteira da pêga! E eu tinha até esquecido de alguns detalhes clássicos destas babaquices. "Cada um com seu paranifo". E eu: Oxe... tem que ter paranifo, é?!!! "Ele do seu lado direito" Pois, tá minha senhora, o quê mais?!!! "Vem (isso com uns babacas formandos, se achando as próprias estrelas do Oscar, estavam quase em extase... sem zona, sem exagero!... E a funcionária manobrando eles como mandam as regras da etiqueta... hahaha, ridícula a cena!)... "venha meu filho, fique aqui de frente a mesa, solte o braço da sua paranifa. Receba o diploma, agradeça, ela coloca o seu chapéu e o seu anel"!!! ANEL!!! Hahaha... jamais me lembraria do tal anel!!! Fiquei de cara!!! Ainda rola este papo de anel mesmo, né?!!! O mercado agradece! Não, não, não... já fui sentindo que não ia rolar... pra quê tanto sacrifício para pegar um papel. Eu não caberia lá!!! E ainda mais que todo mundo acha um saco... fica uma inquietação, uns soando, as crianças impacientes, uma falação infinita... pra quê? Me digam...
Minha decisão foi 100% tomada quando anunciaram os nomes dos homenageados: patronos da festa! Vou citar apenas três de uma gigante mesa de vaidades: João Lyra (tem graça!), Teotônio Vilela, Petrúcio Bandeira! Oxe, e é um comício é?!!! Tô fora!!!
A Erika, com sua lábia abençoada conseguiu vaga para a gente colar no gabinete, longe das bobagens burguesas! Não vamos gastar nada... apenas com a tão sonhada cervejinha de depois!!!
Escrito por Carla Serqueira às 01h52
[]
[envie esta mensagem]

Hoje me diverti muito. Sabe quando você aproveita as coisas mais banais do dia para ter uma boa e baita crise de riso? Hoje... quer dizer, ontem! Eu e Erika, juntas, na cozinha. Sabemos que não fomos feitas para afazeres domésticos, apenas para algumas graças enquanto cortamos tomates, pimentões e, o pior de tudo, cebolas. Visualizei um livro: Como escapar das atividades do doce lar. A Erika, por exemplo, estava em dúvida. Dividiu: Carla, estou em dúvida se corto a cebola grande, para catar na hora de comer... ou se corto pequena para não ver... hahaha!
Fizemos, juntas, uma torta salgada. Fomos a uma festa onde os homens levavam birita e as meninas guloseimas. Caprichamos no tempeiro. Erika colocou vinho no bolo! Hehehe... Fui cúmplice. Cortamos picadinhos de tomate, coentro, pimentão... azeitona, milho verde e ervilha. Revogamos. A Aline trouxe a massa já misturada num pote. Bateu no liquidificador. Untamos a forma e colocamos para assar. Ficou meio mole, porém saborosa. Resolvemos que ficar saborosa era o que importava. Fechamos um pote e meio e fomos para a festa. Era aniversário do Bispo. Chegamos e com muita discrição misturamos a torta às outras comidas cuja as bandejas disputavam espaço na mesa.
A melhor resposta da nossa experiência culinária foi ver uma figura se deliciando, dançando e de posse de um pote inteiro da torta. Caramba... ruim não devia estar. O mais delicioso foi a crise de riso que tivemos, eu e Erika, assistindo. Foi como uma glória. Ficamos lembrando de cada passo daquela combinação comestível... hahaha... juro, horas imaginei um presente de rejeição para aquele invento. Mas não, deu tudo certo.
O Lelo falou algo muito animador. Fez um comparativo. Ele disse: Imagina! Estas comidas (com exceção da nossa torta) são muito frias. Comidas compradas prontas na panificação da esquina. A torta não, cada pedaço cortado com carinho e capricho... ficou legal... diferente, mas legal, autêntico. Acho que optamos por uma forma pouco convencional, mas rolou...
Erika, amiga! Foi bom estar na cozinha contigo... gosto de rir assim... Vamos inventar mais coisas... vamos testar os paladares...
Escrito por Carla Serqueira às 04h14
[]
[envie esta mensagem]
Engraçado! Dia 07 de julho devo estar colando grau. Um atraso de dois anos me separou desta sensação. Me sinto hoje em quarentena, algo assim. Tenho pensado muito no que me tornei... no que ainda falta para ser um ser refeito. Sinto-me menos certa em direções. Tenho buscado o que gosto. Dormir adentrando madruga. Acordar para almoçar. Filmes, música, amigos, papos e bobagens jogadas fora... engolidas com o gole de cerveja.
Larguei o cigarro. Sei que é inacreditável. Sou ex-fumante! Já não acordo e dou de cara com a nicotina. Não sinto falta. Deixei de guardar fósforos queimados. Os cheiros cresceram.
Continuo, ando... sei disso... continuo pra ver.
Escrito por Carla Serqueira às 23h06
[]
[envie esta mensagem]

Tenho assistido muitos filmes. Tenho redescoberto o cinema em mim. Aqui em casa por muito tempo ficamos sem vídeo cassete. O que tínhamos engavetamos no armário do desuso há mais de 10 anos. A tecnologia sempre chegou com muito atraso em meu lar. Meu pai nos fez uma supresa e certo dia cheguei em casa e vi um DVD instalado, bem ali.
Tenho preferido clássicos. Quero saber da história do cinema. Conhecer melhor os diretores. Estou buscando absorver David Linch. Eu nunca tinha visto Charlie Chaplin com tanta atenção. Meu coração fica embasbacado com o trabalho dele. Assisti Chaplin, uma biografia. Que vida a dele. Como pôde haver um homem que sofria enquanto divertia o mundo?!!!
O cinema brasileiro me apaixona a cada filme. Esta semana vi O Invasor, O Dia da Caça. Copacabana me impressionou muito. Carla Camurati, com este filme, passou a ser uma importante referência para mim. Me encantei com os enquadramentos, os movimentos de câmera, a música, as cores... Tô a fim de ver Pagu!
Estou com Buñuel. O Anjo Exterminador. Amanhã vou assistir.
Últimos filmes que vi: Assassinos por Natureza, A Insustentável Leveza do Ser, O Circo - Chaplin, Contos proibidos de Marques de Sade, Abril Despedaçado (fotografia da pêga!), Cinema Paradiso, Aprendiz de Sonhador...
Estou buscando cursos de cinema... tenho pensado muito em assumir este desafio... quem sabe?!
Escrito por Carla Serqueira às 01h49
[]
[envie esta mensagem]

Sempre tive vontade, mas faltava-me grana e coragem. Me peguei num raro momento com as duas coisas e fui me superar. Caralho... acho que perdi, definitivamente, meu medo de agulhas. Putz, sofri em alguns momentos sim. Para mim ela não tem nenhum significado filosófico, ideológico, ou algo parecido... quis apenas me superar, acho que foi isso. E fui. Segunda Feira coloquei uma tatuagem.
Cláudia Fanti tatuou. Escolhi uma borboleta e minhas costas para o seu pouso. A sensação é bem interessante. Numas horas senti o arrepio vindo de dentro, peregrinando, até chegar do lado de fora. Noutras horas uns tremidos repentinos. Antes de decidir perguntei a minha irmã se a dor era pior que dentista. Ela disse que não, tatuagem é suportável. Mas, em alguns minutos da 1 hora e meia que fiquei recebendo a borboleta, quis fazer parar aquela espécie de furadeira. a sensação era também de um bife sendo fatiado. Sabe quando a faca entra meio que na diagonal, pegando profundidade? Assim mesmo...
A foto traz uma borboleta igual a minha.
Agora eu posso dizer que tenho asas. Amarelas asas.
Escrito por Carla Serqueira às 01h34
[]
[envie esta mensagem]
Caminhei em desalinho nesta tarde.
Quis encontrar o nada em mim.
Saí desfolhando por dentro.
Convidei uma flor.
Tenho falta de riso agora.
Escrito por Carla Serqueira às 01h09
[]
[envie esta mensagem]

Hoje constatei uma coisa: que invenção maravilhosa a chimbra (bolinha de gude)!!! Nunca tinha visto a maloqueiragem da minha rua tão concentrada, junta e silenciosa ao mesmo tempo! Passei pelo jogo lentamente... nem me viram! Estava num mesmo grupo cerca de 15 meninos. Cada um esperando a sua vez. Meninos de 5 a 17 anos. Nossa! Santo remédio!
Vejam o que achei sobre as bolinhas milagrosas:
"A origem das gimbras se confunde com a das civilizações. Exemplares delas foram encontrados em escavações arqueológicas no Egito e no Oriente Médio com datas de até 4.000 a.c."
"Foram encontradas pedras semipreciosas em forma de bolinha no túmulo de uma criança egípcia, de aproximadamente 3000 a.C.. Na ilha grega de Creta, as crianças jogavam com pedrinhas de ágata ou jaspe em 1435 a.C.. Provavelmente seu uso foi difundido pelas legiões conquistadoras do Império Romano. O jogo era tão popular entre as crianças de Roma que o imperador César Augusto chegava a parar na rua para assistir a alguns desafios."
Escrito por Carla Serqueira às 23h50
[]
[envie esta mensagem]

Copacabana! Estou adorando conhecer mais a produção nacional de filmes. Não conhecia Carla Camurati diretora. Fui numa locadora aqui perto de casa. Lá, como em tantas outras, não tem quase nada de filme brasileiro. Fomos, eu e minha paciência, procurar nas patreleiras, algum... ao menos algum qualquer, nacional. Pra lá e pra cá, em cima e embaixo. Achei! Copacabana! Um filme de 2001. Hummm... Marco Nanine no elenco. Levei para casa.
O filme conta a história de Alberto, que cresceu e envelheceu em Copacabana, e agora está prestes a completar 90 anos. Através dos acontecimentos de sua vida, o bairro que um dia fora capital da República, tem sua história contanda também! Então é duplamente apaixonante! Quantos velhinhos devem ter se visto naquele filme!!! Além de Nanine, Laura Cardoso, Walderez de Barros, Miriam Pires, Louise Cardoso, Rogéria, Joanna Fomm e Camila Amado fazem os personagens, cada um uma caricatura da terceira idade brasileira.
O filme tecnicamente é maravilhoso. Carla Camurati (neste filme ela é roteirista também) usa uns efeitos sonoros, retardando e ecoando as falas, perfeito para as cenas das lembranças de Alberto. O equilíbrio no uso do preto e branco enrriquece ainda mais e nos faz viajar... para a inauguração do Copacabana Palace, para os carnavais cariocas das décadas de 30/40, Movimento dos 18 do Forte, o sobrevôo do Graf Zeppelin.
O texto é uma poesia! Encantador! é uma narração feita, grande parte por Alberto, mas também por Nossa Senhora de Copacabana. Não é um filme apenas nostálgico. É uma grande comédia que há muito não via. Os diálogos e as interpretações nos fazem rir por serem inteligentes e comuns, cotidianos.
Vejam o trailer: http://www.terra.com.br/cinema/trailers/copacabana.htm Vale muito a pena...
Escrito por Carla Serqueira às 22h45
[]
[envie esta mensagem]
Árvore na ignorância
A simplicidade é que me encanta. Basta ser árvore, ou deixar-se cair folha. Quão miúdo ficou meu campo de vista. Quão abrangente... Formiga amanhece em meu sonho, dou-me passarela.
e por aí vai... a gente sente de tão forma Manoel de Barros que derrama-se em amplitidões. Começa a escrever gravetos. Agrada-se com as insignificâncias. Sou grata por ter lido Manoel de Barros... Quem me apresentou foi o Lelo, meu amor! assim como Lêdo Ivo também.
Manoel de Barros nasceu no final de 1916 em Cuiabá - Mato Grosso. Mora hoje em Campo Grande - Mato Grosso do Sul. Foi guia de Guimarães Rosa no Pantanal. Leu padre Antônio Vieira, Rimbaud, Marx. Foi político na juventude. Quase foi preso. Tinha pichado um muro dizendo: Viva o Comunismo. A polícia foi buscá-lo na pousada em que morou no Rio de Janeiro na época da escola. Seu primeiro livro lhe salvou da ditadura. Chamava-se "Nossa Senhora de Minha Escuridão". O policial dexistiu de levá-lo.
Se desiludiu com Prestes: "Quando escutei o discurso apoiando Getúlio — o mesmo Getúlio que havia entregue sua mulher, Olga Benário, aos nazistas — não agüentei. Sentei na calçada e chorei. Saí andando sem rumo, desconsolado. Rompi definitivamente com o Partido e fui para o Pantanal". Morou fora do país também. Fez curso de cinema e pintura em Nova York. Pintores como Picasso, Chagall, Miró, Van Gogh, Braque reforçavam seu sentido de liberdade. Dos poetas da imagem, gosta de Chaplin, Federico Fellini, Akira Kurosawa, Luis Buñuel. Abaixo, ele mesmo se apresenta:

Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,
aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar
entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto
meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou
abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei -- pelo que
fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço
coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
Manoel de Barros
Escrito por Carla Serqueira às 21h21
[]
[envie esta mensagem]
Impedido de ser exibido no Brasil curta de Glauber estréia na internet
  
da Folha de S.Paulo
Há 25 anos impedido pela Justiça de ser exibido em território brasileiro, o curta-metragem "Di" estréia oficialmente na internet. O filme de Glauber Rocha, que mostra o velório e o enterro do pintor Di Cavalcanti (1897-1976), era disponibilizado na rede por anônimos e sem tratamento de imagem.
Agora, João Rocha, 28, sobrinho de Glauber, dribla o processo judicial ao disponibilizar o filme em um provedor norte-americano. O site é www.dicavalcantidiglauber.us.
O curta, de 16 minutos, teve a exibição proibida a pedido da família de Di, que alega que a obra fere a imagem do artista modernista. O filme ganhou o prêmio especial no Festival de Cannes em 1977.
A família de Glauber também não permitiu por 18 anos o uso das imagens do velório e do enterro do cineasta. As cenas, no entanto, foram liberadas em 1999 para o documentarista Silvio Tendler, que lançou neste ano "Glauber, o Filme - Labirinto do Brasil". Com isso, segundo João Rocha, a família de Di fica "numa posição delicada, pois perde o respaldo em não liberar o filme". Para ele, a liberação do filme na rede é "a correção de uma injustiça". Elisabeth Di Cavalcanti não foi encontrada para comentar o caso.
OBS. Eu vi o curta e achei muito louco. Forte como Glauber é. Achei fabuloso o sarcasmo e a vontade de homenagear o amigo com a arte libertária que eles conheciam bem. Dá para perceber que Glauber e a sua idéia maluca de filmar o enterro não foi bem vinda pela família. Mesmo assim, Glauber Rocha até contracena ao lado do caixão. Vale a pena baixar! Ah! e sem falar na trilha...
Escrito por Carla Serqueira às 00h59
[]
[envie esta mensagem]
Tenho mania de chegar em casa, as vezes, e escrever. Poemas muito raramente. Sinto eles querendo sair de mim, partir para o papel. Não sei exatamente para quê. E é difícil... Me sinto responsável pela prisão deles, me sinto incompetente, culpada. Dou de ombros também. Abaixo estão alguns que fiz. Os melhores são aqueles que saem e a gente nem percebe. Acho engraçado meu modo! Sempre escrevo quando chego nas madrugadas. No outro dia acordo com o caderno amarelo do lado do meu travesseiro. Sento e vou reler. Hahaha... dou risada de alguns, me acho bestona. Bem, chega de papo... abaixo uns menos maus:
   
Anos imaginados
Passado distante, frio
E interno.
Algo em mim passeou por lá
Umidade, embriaguez
Música
Talvez estive em Harlem
Talvez estive vendo Billie Holiday
----------
Falarei de mim hoje.
Quando a gente se dá conta,
Já foi festa...
Passarinho já grilou suas asas.
Falarei de mim
Que vivo torneando pétalas
Desativando senso
E lagrimejando mais tarde.
----------
Ouço música quando o silêncio está gritante em mim;
Como mosca inviabilizando sono;
Como canto de sapo embrenhando noite...
Ouço música quando já estou cantando.
P.S. Este poema (se é que posso chamar assim...) escrevi para participar de uma promoção da revista Caros Amigos. Era para escrever um texto respondendo: por que eu gosto de ouvir música (algo assim). Não ganhei. Hahaha Acho que eu viajei demais.
Escrito por Carla Serqueira às 00h12
[]
[envie esta mensagem]
|